Biografia de Carlos Praia
Desde muito cedo, Carlos Praia mostrou uma forte ligação com a música. Aos 3 anos de idade, já revelava grande fascínio pela guitarra. O seu pai, também chamado Carlos, costumava tocar para ele e para os irmãos, reunindo vizinhos que se juntavam para cantar hinos de alegria e clássicos intemporais.
Em 2002, Carlos começou a tocar guitarra ao lado do pai e, poucos meses depois, passou a integrar a sua igreja, “Os Tocoístas”, no Coro Rei David, um dos mais conhecidos do movimento, onde tocava guitarra solo e baixo.
Formação Inicial em Música
Em 2003, o seu pai levou-o à escola de música Mestre Webba, onde frequentou um curso de guitarra clássica de três anos (2003–2005). Concluiu o curso com as melhores notas da turma e integrou a banda da escola, atuando em vários eventos corporativos.
Depois dessa experiência, juntou-se à Banda Perfil (2005–2007), acompanhando diversos cantores angolanos em concertos e espetáculos ao vivo.
Entre 2008 e 2025, exerceu também como professor de música particular, partilhando conhecimento com várias gerações de estudantes.
Experiência em Botsuana (2009–2013)
Botsuana foi um período de grande crescimento musical e pessoal. A convivência com músicos locais e a participação em projetos variados ajudaram a moldar sua identidade artística.
Em 2009, mudou-se para o Botsuana, onde continuou os estudos de teoria musical com Bary Nolan, arranjador da banda das Forças de Defesa do Botsuana (BDF). Durante esse período, integrou a banda da Open Baptist Church, participando em cultos, programas juvenis, conferências e noites de louvor.
Tocou ainda algumas vezes na Mount Zion Church e colaborou com artistas locais como Bk Proctor e Brenda.
Licenciatura em Música – África do Sul (2013–2016)
A formação acadêmica na África do Sul trouxe bases sólidas e oportunidades únicas. Foi um tempo de intenso aprendizado e desenvolvimento técnico e criativo.
Em 2013, Carlos foi para Joanesburgo, África do Sul, onde fez audição no Campus Of Performing Arts (COPA). O professor de guitarra aconselhou-o a ingressar na Universidade de Tecnologia de Tswane (TUT), onde se matriculou em 2013 e concluiu, em 2016, a Licenciatura em Jazz e Música Popular.
União Africana – Etiópia (2016)
Atuar na União Africana foi uma experiência enriquecedora. A música ganhou novo significado ao ser usada em contextos diplomáticos, culturais e institucionais.
Em 2016, Carlos Praia foi para Adis Abeba, Etiópia, onde trabalhou na União Africana (UA) como assistente de direção musical do coro da instituição. Atuou na Cimeira Presidencial Anual e em eventos corporativos.
Durante este período, também organizou workshops para estudantes locais e teve a oportunidade de tocar com o lendário Doutor Mulatu Astatke, considerado o pai do jazz etíope, e com o conceituado guitarrista Girum Gizaw.
Regressa a Angola (2017)
Em 2017, regressou a Angola, onde passou a trabalhar com inúmeros artistas, produzir álbuns, participar em eventos de prestígio, abrir a sua própria escola de música e fundar a sua primeira banda, a Carlos Praia Jazz Band.
No mesmo ano, atuou nas celebrações do 25º aniversário da Rádio LAC.
- Bienal de Luanda (2020 & 2022)
- Manguxiando Jazz Festival – Catete, Luanda (2019)
- Festival Internacional Benguela Artes e Ritmos (2018–2021)
- Rasgado International Jazz Festival (2018–2022)
- Concertos do Dia Internacional do Jazz (2017–2024)
Experiência Internacional e Projetos em Portugal (2018–2025)
Entre 2018 e 2025, Carlos ampliou a sua carreira internacional:
- Lecionou em escolas de música como Ecos Som de Sentir (Setúbal).
- Foi diretor musical do projeto Afro Jam na Fábrica Braço de Prata (Lisboa).
- Trabalhou no Chapitô, escola de circo em Lisboa.
- Fundou o trio de guitarras “Trio 18 Cordas”.
- Foi CEO, fundador e apresentador do podcast “Olombombo” (2021–2022).
- Em 2021, foi professor convidado no Heart Of Expression Summer Camp (EUA), durante três meses.
No mesmo ano, participou como ator no filme português “O Pátio da Saudade”, o mais visto em Portugal em 2025.
Legado
Com uma carreira que cruza a música africana, o jazz e a música popular contemporânea, Carlos Praia é hoje uma referência da nova geração de guitarristas angolanos, tendo construído uma trajetória sólida que une experiência internacional, ensino, direção musical e criação artística.